História da Cidade
História de Tramandaí
As primeiras ocupações e os caminhos pelo litoral
Com a revisão do Tratado de Tordesilhas, as terras localizadas ao sul do país passaram a ser ocupadas pelos portugueses. Em 1680, foi criada a Colônia do Sacramento, com o objetivo de garantir a posse portuguesa desses territórios.
A sobrevivência e a comunicação entre os diferentes pontos do território dependiam de Laguna, e o deslocamento entre essas localidades era realizado principalmente pelo litoral.
Nesse período, começaram a se desenvolver atividades como a criação de gado, as charqueadas e a extração de ouro. A partir de 1700, intensificou-se também o caminho dos tropeiros, surgindo os primeiros rincões e invernadas destinados às tropas.
Tramandaí passou a fazer parte dessas rotas utilizadas por diferentes grupos que se deslocavam em direção às possessões espanholas. Por essas terras passaram aventureiros, bandeirantes que buscavam aprisionar indígenas, jesuítas espanhóis e portugueses, além de soldados que seguiam em direção à Colônia do Sacramento.
O Rio Tramandaí e Giuseppe Garibaldi
O Rio Tramandaí tornou-se conhecido por representar um importante obstáculo natural para aqueles que percorriam o litoral. Sua travessia era um dos desafios enfrentados pelos viajantes que utilizavam essa rota.
Durante a Revolução Farroupilha, o italiano Giuseppe Garibaldi protagonizou um dos episódios mais marcantes relacionados à história de Tramandaí. Um lanchão, posteriormente conhecido como Seival, foi transportado por terra desde a Lagoa dos Patos até a barra do Rio Tramandaí, sobre rodas puxadas por juntas de bois.
A partir dali, a embarcação seguiu por mar em direção a Laguna, com o objetivo de surpreender as forças federalistas e conquistar aquele território, dando origem à chamada República Juliana.
O Seival tornou-se, ao longo do tempo, um importante símbolo da identidade, da história e da tradição da comunidade de Tramandaí.
O surgimento do povoado
Oficialmente, a história do povoado de Tramandaí tem como marco o dia 26 de outubro de 1732, quando Manoel Gonçalves Ribeiro recebeu a primeira sesmaria do Estado na localidade conhecida como “Paragem das Conchas”.
O nome Tramandaí está relacionado ao rio, que se destacava pela grande quantidade de peixes. O povoado começou a se formar às margens do rio, inicialmente com pequenos ranchos de palha construídos por pescadores que permaneciam na região durante a temporada de pesca.
Com o passar do tempo, devido à abundância de pescado, muitos desses pescadores passaram a se estabelecer definitivamente na localidade. A população também cresceu com a chegada de famílias vindas de Laguna, incluindo famílias de origem açoriana, além de tropeiros e outros moradores.
Tramandaí como balneário
No início do século XX, Tramandaí começou a ganhar destaque como destino de veraneio. Em 1906, pequenos agricultores provenientes da região de Laguna estabeleceram-se na localidade como comerciantes, acompanhando o crescimento do movimento de visitantes.
Naquele período, Tramandaí já era procurada como balneário e possuía aproximadamente 80 casas. Durante o verão, dois hotéis já recebiam visitantes: o Hotel Saúde e o Hotel Sperb.
A economia local passou, então, a se desenvolver principalmente em torno da pesca e do veraneio, atividades que marcaram profundamente a formação da cidade.
Em 1908, foi construída a primeira capela de Tramandaí, dedicada a Nossa Senhora dos Navegantes, fortalecendo a identidade religiosa e comunitária da população.
Em 1934, foi construída a ponte sobre o Rio Tramandaí, ligando Tramandaí a Imbé. A estrutura recebeu o nome de Ponte Giuseppe Garibaldi, em homenagem à passagem do italiano pela região durante a Revolução Farroupilha.
O desenvolvimento e a emancipação
A construção de uma estrada de acesso ao Litoral, em 1939, contribuiu significativamente para o desenvolvimento de Tramandaí, facilitando a chegada de moradores e visitantes.
Outro importante impulso econômico ocorreu em 1968, com a inauguração do Terminal da Petrobras (TEDUT) na região, contribuindo para a expansão da cidade e para a diversificação de suas atividades econômicas.
A emancipação político-administrativa de Tramandaí ocorreu em 24 de setembro de 1965, quando o município se emancipou de Osório.
A transformação econômica
Com o passar dos anos, a pesca começou a apresentar sinais de redução e surgiu a necessidade de novas habitações para atender ao crescente número de pessoas que procuravam Tramandaí para lazer e descanso.
Nesse contexto, a construção civil passou a ocupar um papel cada vez mais importante na economia local. A expansão urbana acompanhou o crescimento do turismo e do número de pessoas que passaram a frequentar e residir na cidade.
Tramandaí também começou a transformar seus hábitos e sua dinâmica comercial. Mesmo durante o inverno, bares e restaurantes passaram a abrir suas portas no período noturno, algo que anteriormente era pouco comum.
Tramandaí nos dias atuais
Atualmente, Tramandaí apresenta uma dinâmica marcada por duas temporadas distintas.
No verão, a cidade recebe e acolhe milhares de veranistas, oferecendo uma intensa programação de lazer, atividades culturais, gastronomia e entretenimento, além de suas praias e paisagens naturais.
No inverno, Tramandaí assume um ritmo mais tranquilo, atraindo aqueles que procuram momentos de descanso, bem-estar e contato com a natureza à beira-mar.
Essa dualidade faz parte da identidade do município, que mantém suas tradições históricas ao mesmo tempo em que se consolida como importante destino turístico do Litoral Norte Gaúcho.
A origem do nome Tramandaí
A origem do nome Tramandaí é atribuída à língua tupi-guarani. Ao longo da história, o nome aparece em documentos antigos com diferentes grafias, entre elas: Taraman, Tramandi, Termandi, Tramando, Taramandahy, Tamandatay e Tramandahy.
Existem diferentes interpretações para o significado do nome. Entre as possibilidades estão:
- “Rio dos meandros”, em referência ao curso sinuoso do rio;
- “Rio dos roedores”, relacionada à presença de capivaras e ratões-do-banhado na região;
- “Lugar onde se cerca para colher”, possível referência às antigas práticas de pesca realizadas com redes.
A diversidade de interpretações reflete a riqueza cultural e histórica que acompanha a formação de Tramandaí e sua relação permanente com o rio, a pesca, o litoral e as comunidades que contribuíram para o desenvolvimento do município.
Referências Bibliográficas: Livro- Tramandaí Terra e Gente - 2ª Edição/1986-Pallotti - Produção Editorial: AGE- Assessoria Gráfica Editorial Ltda. Autoras: Leda Saraiva Soares e Sonia Purper.
Complemento e organização do texto pela Turismóloga Marisol Missaggia
(Imagens: Memória Tramandaíense)